26.4.09

Vencidos pelo amor

Vencidos pelo amor - (2006)

Hoje, não mais a esperança;

Novamente a decepção.

Nas dúvidas ocorrem lágrimas:

O ponto de separação.


Falta coragem para entender;

Amadurecimento para perceber;

Que o que está errado, não se vence;

Que o “nós” não nos pertence.


Mas a sincronia nos confunde;

A ilusão nos envolve;

A esperança nos difunde.


O relacionamento se desfaz;

Pela falta que o amor faz;

Só que valeu a tentativa;

Ficar só, não é uma alternativa.

22.4.09

Cultura no Brasil: demagogia patriarcal

A Lei Rouanet, desde 1991, garante, principalmente, o financiamento do setor cultural por meio de renúncia fiscal. Esta Lei proíbe o governo de adotar critérios subjetivos para aprovar projetos culturais e possibilita que qualquer empresa, pública ou privada, destine 4% do imposto de renda à cultura (para pessoas físicas a porcentagem chega a 6%).

O debate em torno da revogação de tal Lei não é recente. Contudo, em menos de duas semanas chegar-se-á ao prazo limite da consulta pública, 6 de maio, quando o projeto da Casa Civil para revogação será votado no Congresso.

A argumentação utilizada a favor da revogação é que as falhas relacionadas a ela viabilizam o investimento em projetos do sul e sudeste, sendo estes de maior visibilidade. Entretanto, as tendências e preferências relacionadas aos projetos classificam, tão somente, o uso da lei. E quanto a distribuição dos recursos captados, os mesmos seguem as características da arrecadação de impostos.

O Ministério da Cultura pretende, caso fim da lei, aumentar seu orçamento e centralizar as decisões sobre como e onde investir. Para isso, criar-se-ia (ligados a cultura): uma loteria federal, novas alíquotas de impostos para atividades no setor, uma taxa para quem publica livros para estimular a atividade de que faz parte.

Nesse caso, a manipulação cultural por parte do governo tornar-se-ia inevitável, consequentemente, haveria constrangimentos a liberdade de criação: a possibilidade do uso de critérios subjetivos para as aprovações; e a criação de fundos setoriais (cada qual com seu conselho gestor e grupo de influência/interesse).

Da forma sugerida, parece uma tentativa do governo em colocar-se como interlocutor entre o setor cultural e as empresas, seguindo a retórica do estado patriarcal (sem mencionar a profusão de cargos públicos e burocratização/emperramento dos órgãos públicos).

Caso a revogação ocorra, só resta a pergunta: o setor público investirá de maneira que as desigualdades do país não sejam refletidas (ou seja, corrigirá as falhas da Lei Rouanet) e de forma transparente (clareza e/ou decência quanto a destinação das verbas)?

20.4.09

2 Poesias

Viver é arriscar-se
(Atribuído a Rudyard Kipling)

Rir é arriscar-se a parecer doido;
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental;
Estender a mão é arriscar-se a comprometer-se;
Mostrar os seus sentimentos é arriscar-se a se expor;
Dar a conhecer as suas idéias, sonhos, é arriscar-se a ser rejeitado;
Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor;
Viver é arriscar-se a morrer;
Esperar é arriscar-se a desesperar;
Tentar é arriscar-se a falhar;
Mas devemos nos arriscar!
O maior perigo na vida está em não arriscar.
Aquele que não arrisca nada;
Não faz nada;
Não tem nada;
Não é nada!



Guardei-me para ti
(Lya Luft)

Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.

É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.